Delator revela que usava a expressão "barquinho" ao se referir à entrega da propina

Por Hagnon Halberto em 23/03/2021 às 01:55:40

As delações da Operação Calvário têm revelado formas "curiosas" que seriam utilizadas para a entrega e/ou recebimento de propina. A ex-secretária de Administração do Estado, Livânia Farias, disse que usava a expressão "mangas de Sousa" ao se referir à entrega de dinheiro.


Já o ex-assessor jurídico da secretaria de Saúde do Estado, Bruno Donato, revelou que um dos empresários que pagaria propina enviava a figura de um barco por um aplicativo de mensagens. O sinal, segundo o relato, era de que ele (o empresário) já estava com o dinheiro que deveria ser pago. Em alguns casos, conforme o colaborador, os recursos eram entregues em uma marina no Jacaré, em Cabedelo.


A empresa tinha contrato com a Saúde estadual e repassava 10% dos valores recebidos ao "esquema", entre os anos de 2012 e 2014. O dinheiro, segundo a delação, seria repassado a Coriolano Coutinho – preso pela Operação Calvário.


"Em março (de 2015) ainda me passou uma mensagem pelo WhatsApp, ele me mandava uma figura de um barco, essa figura servia para dizer que ele já estava com o dinheiro e para nos encontramos na marina, eu respondia com outro barquinho e depois falava o horário, mas nesse mês de março (2015) eu não o respondi", descreve o colaborador.


Em outro momento de sua delação, o advogado diz que chegou a viajar para o Sertão na companhia de Coriolano Coutinho. Eles ficaram hospedados em um hotel, em Patos.


Lá, conforme Bruno Donato, receberam a visita de prefeitos da região. Alguns saíram com dinheiro. Outros dois prefeitos iriam receber R$ 60 mil em um posto de gasolina, mas acharam pouco.


"Os dois reclamaram do valor, falaram que valor não daria para nada, e disse que se fosse só aquela quantia, eles nem iriam receber, pois eles estariam bancando a câmara toda dos seus municípios, pedi para eles me esperarem no posto, e voltei para o Hotel onde Cori estava e expliquei a situação, ele me entregou mais R$ 20.000, voltei e entreguei aos prefeitos", relata o documento.


Os recursos estariam sendo "investidos" na campanha de 2014…


A delação, juntamente com outras provas, serviram de base para a 11ª e 12ª fases da Calvário. No caso do advogado foi ele mesmo que decidiu procurar o Gaeco e contar tudo o que sabia, colaborando com a Justiça e com as investigações da Calvário.

Fonte: Jornal da PB

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